Noções gerais sobre nutrição

08/07/2010 20:31

Texto de José Giordano Penteado

Os animais de boas raças exigem uma alimentação racional para alcançar melhor produção.

Os animais de raças inferiores, com a mesma ração dada às boas raças, nunca alcançam a produção delas.

Devem ter condições de habitat ou meio ambiente, isto é, o conjunto de fatores que dá condições para a vida. Esses fatores são AR, LUZ, TEMPERATURA, PRESSÃO, UMIDADE, etc.

BOA ALIMENTAÇÂO

Selecionando e racionalizando os alimentos adequados à nutrição dos animais, podemos obter a melhor produção das mesmas. Se for verdade que boas raças são fundamentais na criação, assim também é na alimentação. Esses dois fatores se completam com o bom estado sanitário do rebanho.

A alimentação racional e suficiente garante uma boa produção, porque confere ao animal os elementos plásticos e energéticos essenciais à vida.

BOM ESTADO SANITÁRIO DOS REBANHOS

Animais sadios produzem. Animais doentes não produzem. A mortalidade deve ser baixa, para melhor rendimento do rebanho. Assim, também, deve ser alto o índice de natalidade. A boa raça e com um bom estado sanitário converte melhor o alimento, dando maiores lucros.

RAÇÂO

É aquele que contém todos os alimentos essenciais a um perfeito equilíbrio do organismo, em quantidades suficientes para repor os desgastes naturais à produção de energia e à reprodução. Duas são as finalidades: manutenção e produção.

RAÇÃO DE MANUTENÇÃO

Será aquela dada ao animal, para a produção de energia e reposição dos desgastes naturais.

RAÇÃO DE PRODUÇÃO

Será aquela dada ao animal, para compensar a produção, quer seja carne, leite, ovos ou ainda a procriação.

ÍNDICE DE CONVERSÃO

É o número que exprime a quantidade de quilos de ração necessária para formar uma unidade de produto (líquido de carne, ovos, leite, etc).

CONSTITUINTES DA RAÇÃO:

a) proteínas

b) carboidratos (açúcar, amido, celulose, etc)

c) gordura (gorduras, esteróis, carotenos, fosfolipídios)

d) Minerais

e) Vitaminas

f) Água

Proteínas

As proteínas são absorvidas ou assimiladas no tubo digestivo com aminoácidos, que são seus componentes elementares.

Alimentos protéicos são aqueles que fornecem proteínas.

As proteínas quanto à sua natureza são de origem animal e vegetal. As proteínas animais são de qualidade superior às proteínas vegetais.

Os aminoácidos são necessários ao organismo, para que ele elabore suas próprias proteínas.

O número e qualidade de aminoácidos presentes determinam a quantidade de proteínas. Por essa razão, é melhor que se usem mais do que uma fonte de proteínas nas rações, para que se tenha uma maior segurança de estarmos suprindo de maneira adequada os diferentes aminoácidos necessários.

Quando usamos as proteínas vegetais, o aminoácido mais comumente definido é a metionina.

As proteínas animais são também melhores que os vegetais, como fonte de vitaminas e minerais essenciais. Suas maiores desvantagens são suprimentos reduzidos e preço elevado.

As proteínas animais são as melhores fontes dos aminoácidos limitantes: lisina, triptofano e cistina.

EIS OS NOMES DE ALGUNS AMINOÁCIDOS ESSENCIAIS: Arginina – Lisina – Histidina – Ácido Aspártico – Treonina – Serina – Fenilanina – Cistina – Ácido Glutâmico – Prolina – Hidroxiprolina – Glicina – Alanina – Triptofano – Leucina – Valina – Metionina – Isoleucina – Leucina – Tirosina.

PRINCIPAIS FONTES DE PROTEÍNAS VEGETAIS

Farelo de torta de algodão – Alfafa - Farelo de soja – Protenose – Farelo de trigo – Farelo de arroz, etc.

PRINCIPAIS FONTES DE PROTEÍNAS ANIMAIS

Farinha de peixe – Farinha de fígado – Farinha de carne – Farinha de sangue, etc.

RELAÇÃO ENERGIA – PROTEÍNA

A última novidade em nutrição animal foi a descoberta de que a relação entre a proteína e a energia (colorias) da ração muito tem a ver com a eficiência da mesma. Esta relação parece não ter quase nenhum efeito sobre a produção total (leite, ovos, carne, produção, etc), mas está ligada a conversão da ração.

Uma ração de alta eficiência é aquela que contém grande quantidade de calorias para a proteína que é ingerida.

A relação correta calorias – proteínas na ração são importantes para que essa tenha o melhor aproveitamento da proteína que contém. Se houver proteína em excesso, esta é usada como hidrato de carbono.

Se o excesso for hidrato de carbono em quantidade suficiente, para que toda proteína da ração seja usada apenas como proteína, resultará numa eficiência máxima e esta finalidade de se relacionar as calorias com as proteínas a ração.

Carboidratos

Os Hidratos de carbono são substâncias ternárias compostas de Hidrogênio, Oxigênio e Carbono. Constituem cerca de ¾ partes de matéria seca dos vegetais. Este grupo de substância inclui os açúcares, que são compostos orgânicos relativamente simples e também o amido, celulose e outros compostos orgânicos de natureza mais complexa. Os Hidratos de Carbono são também divididos em seus elementos componentes e absorvidos como açúcares simples (glicose, levulose, etc) que por sua vez são convertidos no fígado e armazenados como amido ou glicogênio.

Os Hidratos de Carbono são utilizados pelos animais como fonte de energia.

Quando há Hidrato de Carbono em excesso na ração, os mesmos transformam-se em gorduras armazenada.

Alimentos ricos em Hidrato de Carbono mais utilizados são: Milho, sorgo, Batata Doce, etc.

Gordura e Lipídeos

Como o Hidrato de Carbono, as gorduras são compostas de carbono, Hidrogênio e Oxigênio.

As Gorduras fornecem cerca de 2,25 vezes mais calor (energia) do que os Hidratos de Carbono na combustão, tendo portanto um maior valor alimentício.

As Gorduras não constituem somente uma fonte concentrada de energia e de produção de gordura corporal ou de gordura de leite, mas possuem também outras funções. Elas auxiliam a absorção das vitaminas A, D, E e K dos alimentos, especialmente do caroteno e podem auxiliar a absorção de Cálcio.

As Gorduras, quando assimiladas após a digestão dos alimentos, acumulam-se em várias regiões do corpo constituindo reservas para serem utilizadas nas ocasiões de escassez (doenças, prenhes, reprodução, etc).

Essas reservas gordurosas, depois de sofrerem reações químicas complexas, estão em condições de serem utilizadas pelo organismo como fonte de calor e energia.

O poder energético das Gorduras é o dobro das proteínas e dos Hidratos de Carbono. Para se conseguir uma elevada digestibilidade das gorduras e das proteínas é indispensável haver uma relação entre 1:3 a 1:5, que é denominada de relação adipoproteica.

Minerais

São componentes inorgânicos dos alimentos que desempenham papel importante no metabolismo dos organismos animais e vegetais.

são classificados em dois grandes grupos. Chamados de:

Minerais Plásticos

Importantes na formação do corpo, intervindo na regularização funcional de numerosos processos vitais, são eles: Cálcio, Fósforo, Cloro e Sódio.

Oligo-Elementos ou Micro-elementos ou Elementos Minerais Menores

Essas substâncias gozam da particularidade de exercer, em pequena dose, franca ação biológica de natureza biocalitíca, são eles: Ferro, Cobalto, Cobre, Iodo, Enxofre, Magnésio, Manganês e Zinco.

Vitaminas

São componentes orgânicos dos alimentos, dos quais apenas uma parcela reduzida (alguns miligramas) é indispensável, diariamente, ao crescimento celular para a manutenção de suas funções normais.

À falta ou excesso de Vitaminas, dão-se os nomes de Hipovitaminose e Hipervitaminose, respectivamente. O termo Avitaminose seria a falta total de vitaminas, o que não é possível de se constatar.

As Vitaminas desempenham um papel relevante na distribuição das Proteínas, dos Hidratos de Carbono, das Gorduras, dos Sais Minerais de Água.

A palavra Vitamina foi proposta pelo Dr. Casimir Funk em 1912, acreditava ele na existência de certas substâncias indispensáveis à vida e similares as “Animais” e criou, para designá-las, a palavra VITAMINAS.

Posteriormente, se verificou que nem todas essas substâncias são animais, mas a designação original está hoje consagrada pelo uso.

As Vitaminas não são substâncias vivas, mas compostos químicos definidos, atuando até certo ponto como catalisadores.

As Vitaminas são designadas por letras porque, de início, quando se estudaram as suas propriedades, não se conhecia sua composição química. Porém, à medida que se tornavam conhecidas, eram rotuladas com designação químicas próprias.

Situação atual da Classificação das Vitaminas

Vitaminas Azotadas

Tiamina ou B1 – Riboflavina ou B2 – Piridoxina ou B6 – Ácido Fólico – Ácido Nicotínico – Ácido Pantotenico – Ácido Para-Amino-Benzóico – Colina – Biotina ou H – Cobalamina ou B12.

Grupo dos Esteróis

Complexo D

Derivados do Açúcar

Vitaminas C Inusitol

Derivados do Caroteno

Vitamina A

Derivados da Quinona

Vitamina E

Vitamina K

Ácidos Graxos não saturados

Ácido Linoleico

Ácido Linilenico

Datas dos estabelecimentos das Fórmulas de Vitaminas

Ácido Nicotínico - 1913

Vitamina C - 1932

Vitamina A - 1933

Vitamina D - 1934

Vitamina B2 - 1935

Vitamina H (Biotina) - 1936

Vitamina B1 - 1936

Vitamina E - 1938

Vitamina B6 - 1939

Ácido Pantotenico - 1940

Algumas Vitaminas Obtidas Sinteticamente

Vitamina A, vitamina B6, vitamina E, Vitamina H, Ácido Pantotenico, Vitamina B, Vitamina C, Vitamina K, Ácido Fólico, Calciferol, Vitamina D foi obtida por processo fotoquímico (irradiação do ergoterol).

Eficácia das Vitaminas sintéticas

De modo em geral, são tão eficazes como as Vitaminas naturais, Isto é, se forem de alto grau de pureza e corresponderem a composição química das naturais.

Água

O conteúdo máximo em água (umidade) que é ainda compatível com a boa conservação é p 13% para os cereais, o 10% para os farelos e as farinhas de qualquer procedência.

Para as gorduras, contidas a mais do que 6/7% são facilmente propensas aos fenômenos de deterioração.

Aos alimentos para garantir uma boa conservação com os meios comuns, dependem do conteúdo em água e das quantidades em gorduras.

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